quarta-feira, 21 de novembro de 2012

a suposta carta

Mãe e Pai...

E então esta sou eu, resultei disto, resultei daquilo que me 
ensinaram e por muito que as vezes tenha medo de ser, sou. De facto a minha vida não é um conto de fadas e princesas, mas só não é porque as fadas não existem. Costumam dizer que colhemos aquilo que plantamos, e é certo que a minha vida não é mais que isso, aquilo que planto, que deixo crescer, aquilo que eu mereço... Nem tudo é bom, mas também nem tudo é mau, com isto é muito claro que quero dizer que não tenho uma vida perfeita, e se calhar nem me esforço para a ter. Como toda agente tenho uma rotina, tenho o amor caloroso vindo de ti mãe, o amor intenso recebido de ti pai, tenho amigos bons, amigos maus, tenho os amigos-irmãos, tenho paixões, tenho velhos amores, tenho intrigas e desavenças mas não passam disso. Nos últimos dois anos há quem diga que regredi, há quem diga que estou a piorar e nem me estou a aperceber-me, mas sem querer discordar, ou não tirando a importância dessas palavras na minha lista de preocupações eu risco-as e escrevo por cima "estou a crescer, e vou aprender com aquilo que não está certo" e aqui se junta um mar de argumentos para o negar, para tirar da minha cabeça esta ideia e finalmente forçar-me a não sair dos limites. E aí eu suspiro... e tento vos explicar... Alguém, alguém muito importante disse-me à  relativamente pouco tempo, numa das mais vulgares e quase forçadas conversas de família: "Se não o fizeres agora, quando é que vais fazer?" acabadas as palavras, a épica e desinteressante conversa, tornou-se numa das coisas que mais me marcou nesta altura da minha vida, que por muitos é relatada, discutida e denominada por irresponsabilidade; agir sem pensar; viver como se fosse o último dia, não olhar para as consequências... entre diversas expressões que para não fugir do tema têm de ser negativas, a mais conhecida é - a adolescência. Claro que não é nenhuma ofensa, mas para mim, e para muitos estou certa que a vêm como um certo eufemismo, como se a adolescência de agora fosse destroçada por tudo o que fazemos, como se fosse desperdiçada só de forma errada tornando-a numa fase má, então resolvi mudar isso. Aceito ouvir-vos, não vos desrespeito, mas acontece que antes de me proporem (eufemismo, novamente) os vossos limites, vou eu limitar, vou eu ter a noção do que faço, vou eu dizer para mim mesma "se o fizeres arrependes-te!". E estava a falar de mim, no que sou... acabei por falar do que penso agora, nestes tempos, porque o que penso é o que sou.



Da vossa menina*

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